Após ter aborto negado pelo STF, mulher dá à luz a gêmeas siamesas

Nos primeiros meses de gestação, Lorisete dos Santos, grávida de gêmeas, recebeu uma difícil notícia dos médicos que acompanhavam as consultas de pré-natal: o parto seria difícil e tanto ela, como as meninas, corriam risco de vida.

Há dez dias, Sofia e Milena estão internadas na UTI do Hospital Fêmina, em Porto Alegre (RS). Ligadas a aparelhos e sem previsão de alta, o quadro de saúde das gêmeas siamesas tem surpreendido a equipe assistencial da casa de saúde. Isso porque, em função das condições da gestação, não havia perspectiva de que as recém-nascidas sobrevivessem ao parto. A mãe, de 37 anos, submetida a um difícil procedimento de cesariana, recebeu alta uma semana após dar à luz.
O caso de Lorisete ganhou notoriedade em todo o país por conta da batalha travada na Justiça. Ciente da complexidade que envolvia a gravidez, a auxiliar de serviços gerais foi aos tribunais, com o amparo da Defensoria Pública de Porto Alegre, lutar pelo direito de interromper a gestação.

Não teve sucesso na primeira, nem na quarta vez, mesmo recorrendo ao Superior Tribunal Federal, onde teve o caso julgado por André Mendonça, o ministro “terrivelmente evangélico” indicado por Jair Bolsonaro à maior instância do Poder Judiciário. Segundo informação apurada pelo Uol, o mérito foi sequer discutido em todas as oportunidades em que o tema foi levado ao tribunal.

Em meio à incerteza quanto ao diagnóstico das bebês e sem condições de arcar com os custos para permanecer distante de casa, a família de São Luiz Gonzaga, tem sobrevivido com a ajuda da Secretaria de Saúde do município onde vivem. Além disso, também tem recebido doações de alimentos e outros donativos.

Para ajudar à família, uma série de ações está sendo divulgada nas redes sociais. As doações podem ser feitas via Pix para a conta de Luciele Mendes Caldas, irmã de Marciano da Silva Mendes, pai das gêmeas. A chave é o CPF 03012507078.