Hospital abre processo disciplinar contra médico que disse não atender quem votou em Lula

Na segunda-feira (8), Hospital Regional de Nova Andradina, cidade 297 quilômetros de Campo Grande, se manifestou no inquérito civil instaurado para apurar conduta do médico que teria dito que não atenderia quem votou em Lula (PT). O caso veio à tona após o áudio enviado pelo médico vazar.

Em resposta ao pedido de informações feito pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) sobre as medidas tomadas, o hospital informou que no dia 4 de novembro foi aberto PAD (Processo Administrativo Disciplinar).

Ainda conforme a unidade, o processo está em andamento para apuração dos fatos que envolvem o médico e diretor clínico. Também é informado que foi solicitado ao Conselho de Ética Médica da instituição e ao CRM/MS (Conselho Regional de Medicina do Mato Grosso do Sul) a apuração dos fatos.

A abertura do PAD foi publicada no Diário Oficial do município. Conforme o CRM/MS, a denúncia foi recebida e foi aberta sindicância para apuração dos fatos e devidas providências.

Médico é investigado em inquérito

O pedido de apuração, feito pelo promotor de justiça Paulo Henrique Mendonça de Freitas, considerou que a suposta prática do ato atenta contra os princípios da administração pública e os deveres de imparcialidade e legalidade, além de violação aos princípios de impessoalidade e moralidade pública, previstos no artigo 37 da Constituição Federal.

Nota de retratação

O médico escreveu uma nota pública, direcionada à população de Nova Andradina, se retratando pelo áudio. No documento, ele alega ter ido a uma conveniência com amigos e “brincado sobre a compra que estava fazendo, tirando uma onda em tom de brincadeira sobre promessa política de tal candidato”.

O médico ainda afirmou que a gravação foi feita sem seu consentimento, e que não dirigiu as palavras a uma pessoa em particular. Ele ainda escreveu que foi diretor clínico do hospital durante os primeiros meses da pandemia de Covid-19 e disse ser uma pessoa ‘descontraída’.

“Muitos cidadãos de Nova Andradina e região que já passaram por atendimento realizado por mim, sabem que sou sempre descontraído, além disso, que dou o meu melhor no atendimento médico a todos visando acalentar, tirar a dor e propor o melhor àquele que veio até mim”, afirmou.

O médico ainda pediu para que seja lembrado pelo serviço prestado durante a pandemia, e não pelo episódio do áudio vazado. Durante o pedido de desculpas, ele disse ser um ser humano passível de erro com as palavras e que “comete erros como qualquer pessoa”.

“Longe de mim prejudicar alguém, pois nunca omiti socorro, e nunca o farei em qualquer circunstância quando do atendimento a quem quer que seja, sem distinção de raça, cor, credo ou mesmo posição política qualquer que seja, atendendo a todos como iguais”, afirma. Por fim, o médico disse que pede desculpas a quem se sentiu ofendido.

Áudio vazado

O áudio teria sido captado em estabelecimento comercial do município dias antes da votação para o 2º turno, que terminou com a eleição de Lula para a Presidência da República. Antes, o médico criticou eleitores de Lula: "Porque [Lula] é bandido, quem vota em bandido, bandido é", disse no áudio.

O diretor do hospital, Noberto Fabri, disse ao Jornal Midiamax que recebeu a denúncia na tarde do dia 3 e que o jurídico do hospital foi acionado para analisar as providências a serem tomadas. O médico pode ter o contrato interrompido com a instituição.

Por sua vez, o advogado do médico, Lecio Gazinha, disse que seu cliente teria dito em "tom de brincadeira" e que ele estaria conversando com o irmão em um estabelecimento da cidade.

Médico pode recusar atender paciente?

Conforme o Código de Ética Médica, o médico não pode deixar de atender pacientes em prontos-socorros de hospitais ou clínicas quando ocorre o atendimento de urgência e emergência, não importando o argumento, sob pena de responsabilidade civil, penal e administrativa.