Príncipe Saudita é acusado de aproveitar distração com Copa do Mundo para executar 12 pessoas

A organização de direitos humanos Reprieve acusou a Arábia Saudita de aproveitar que a atenção da mídia internacional está toda voltada para a Copa do Mundo no Catar para executar 12 pessoas por decapitação no intervalo de apenas dez dias.

A Reprieve, que reúne advogados e investigadores que procuram violações de direitos humanos, alega que o príncipe saudita Mohammed bin Salman está agindo contra a promessa que fez de não promover execuções em seu país, aplicando a pena de morte a presos por delitos não violentos envolvendo drogas.

A diretora da organização, Maya Foa, alertou que o número de mortos pode aumentar em breve para 13, já que o motorista de táxi Hussein Abo al-Kheir, é um dos próximos detentos a ser executado. "Enquanto Mohammed bin Salman (MBS) estava se colocando no centro do palco na cerimônia de abertura da Copa do Mundo, sentado ao lado do supremo da Fifa, Gianni Infantino, o motorista de táxi Hussein Abo al-Kheir estava encolhido em uma cela, com medo de que o carrasco o levasse ".

"Enquanto todos os olhos estão voltados para o futebol, a Arábia Saudita está realizando uma terrível onda de execuções, matando pessoas como Hussein, um homem inocente que foi torturado pela polícia saudita para 'confessar' [seu crime]. A Arábia Saudita executou mais pessoas do que nunca nos primeiros seis meses deste ano e agora começou a executar infratores da legislação antidrogas, em grande número e em segredo, enquanto o mundo se concentra em seu vizinho”, denunciou.

Segundo a Reprieve, que recolheu dados sobre as execuções desta semana, a maioria dos detentos foi decapitada com uma espada. Três dos homens executados eram paquistaneses, quatro sírios, dois jordanianos e três sauditas. Outro homem da Jordânia teria sido transferido para uma ala prisional e deve ser executado na sexta-feira, acrescentou a ONG.

Apenas em 2022 pelo menos 132 pessoas foram executadas na Arábia Saudita número superior de execuções em relações aos anos de 2020 e 2021 somados. Em 2018, o príncipe herdeiro bin Salman disse que seu governo estava tentando "minimizar" a pena capital e executar apenas pessoas consideradas culpadas de assassinato ou homicídio culposo. No entanto, a promessa teve vida curta, como a ONG apontou.