Universitário obrigou mais de 30 meninas a realizar “jogos de sexo”

No dia em que iria colar grau para o curso de Arquitetura, um universitário de 29 anos foi preso e confessou ter abusado de mais de 30 crianças e adolescentes por meio de crimes virtuais. Com a promessa de ganhar seguidores na internet, ele atraía as vítimas e as obrigava a participar de uma espécie de “jogos do sexo”.

Na lista das vítimas já identificadas pela Polícia Federal há uma estudante, que hoje tem 15 anos e mora no Espírito Santo.

O acusado, que disse que praticava o crime desde 2018, foi preso em São Paulo e ainda ontem veio transferido para o Espírito Santo em voo comercial. Ele ficará no presídio capixaba.

À frente das investigações, o delegado Lorenzo Espósito, titular do Núcleo de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, contou que os abusos a estudante começaram em 2020, quando a menina tinha 13 anos.

Se passando por uma adolescente da mesma faixa etária, o universitário se aproximava das vítimas propondo uma espécie de gincana, com a realização de jogos que consistiam em pequenas tarefas.

Essas tarefas foram evoluindo até que a menina foi convencida a dançar com roupa íntima. Nesse momento, o acusado assumiu a sua verdadeira identidade e passou a ameaçá-la, a obrigando a liberar novos vídeos. Ela, inclusive, foi vítima de estupro virtual (também chamado de remoto).

O “prêmio” oferecido seria ganhar cinco mil seguidores nas redes sociais. “No caso dessa estudante capixaba, o universitário pediu para que ela fizesse imagens mostrando a língua, chupando sorvete e depois, ao ganhar a confiança, ele ia pedindo para ela mostrar parte do corpo”.

Para conseguir o que queria, ele fazia chantagens dizendo que divulgaria o material que tinha para pessoas do ciclo da vítima, como amigos, colegas de escola e familiares. A menina teve, inclusive, as partes íntimas lesionadas, à época.

Ainda em 2020, o pai da menina, devastado, procurou a polícia. O acusado, temendo ser identificado, ficou um tempo sem falar com a estudante capixaba.

Só que no final de setembro deste ano, ele apareceu novamente, mandando mensagem para a estudante. A menina, muito abalada, contou para a família. O seu pai procurou novamente a Polícia Federal, que conseguiu identificar o acusado e prendê-lo ontem.

“Internet não é terra sem lei”, diz delegado federal

Engana-se quem acha que crimes virtuais ficam impunes. “A internet não é terra sem lei e a Polícia Federal está atenta às mensagens e conteúdos ilegais transmitidos por esses meios”.

Nesse tom, o delegado Lorenzo Espósito, titular do Núcleo de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, diz que a polícia tem meios para chegar aos autores, com capacitação, treinamentos, até mesmo parceria de outras forças policiais, trabalho de inteligência, entre outras estratégias.

As investigações também ultrapassam fronteiras. Um exemplo é que os policiais descobriram que havia uma informação da agência americana Homeland Security Investigation (HSI) que descrevia uma situação muito semelhante, em que uma menina residente no Estado do Texas havia sofridos abusos sexuais infligidos da mesma forma que a vítima brasileira.

A investigação e as provas produzidas nos Estados Unidos indicavam que o responsável por aqueles crimes estaria no Brasil.

Os investigadores então seguiram buscando determinar a identidade do criminoso e o seu envolvimento em outros casos de exploração/abuso sexual infantil e crimes de ainda maior gravidade.

“Após árduo trabalho, conseguimos chegar até o suspeito preso hoje (ontem) na capital paulista”.

O delegado ressaltou que somente neste ano, as investigações da Polícia Federal no Estado já levaram mais de 10 abusadores para a prisão.

No caso do universitário preso ontem, Lorenzo Espósito conta que a partir de agora as investigações continuam na tentativa de identificar mais vítimas.

Ele salientou que, apesar do universitário negar que ganhava dinheiro comercializando o material do abuso infantil, a polícia vai focar nessa apuração.

O preso poderá responder pela prática do delito de extorsão (artigo 158 do Código Penal) e estupro de vulnerável, bem como os crimes de produzir, transmitir e/ou armazenar material pornográfico envolvendo criança ou adolescente (art. 241-B da Lei 8.069/1990).

Caso isso se confirme, o delegado disse que o acusado pode pegar até 200 anos de condenação, se confirmar que ele abusou mais de 30 vítimas e praticou os crimes citados.