Jovem é condenado por matar mãe e sobrinha de 10 meses com golpes de pá

Ronaldo da Silva Martins, que tinha 19 anos na época do crime, foi condenado por duplo feminicídio triplamente qualificado (motivo fútil, meio cruel e emprego de recurso que impossibilitou e dificultou a defesa das vítimas). O g1 não localizou a defesa do réu, que foi preso no dia do crime.

Conforme a denúncia do Ministério Público (MP), o acusado estava sob efeito de entorpecentes e alcoolizado. Após uma discussão com a irmã, mãe da bebê, ele teria utilizado uma tesoura e uma pá para assassinar a mãe e a sobrinha, que chegou a ser socorrida, mas não resistiu.

"Os crimes foram cometidos por motivo fútil, uma vez que o denunciado agiu em razão de uma discussão banal com a mãe e a irmã, que também foi agredida, tratando-se de motivo desproporcional e ínfimo para tamanha violência", diz o promotor Rogério Meirelles Caldas.

Ao júri, os policiais citaram a cena como um ambiente de "terror" pela violência praticada. Quando eles chegaram no local, o réu estaria com a criança em uma mão e uma pá na outra, conforme relato.

Na época do crime, a delegada Lígia Furlanetto disse que, em depoimento, o jovem "não soube explicar o que aconteceu. Ele disse que não se lembra, não sabe dizer o porquê, o motivo".

Histórico de violência

Em outubro de 2019, o rapaz foi preso em flagrante por arrancar a orelha da companheira, que era menor de idade na época e estava grávida. Ele ficou 51 dias preso.

"Essa jovem, que era menor de idade, acabou reatando o relacionamento com ele. Ela não compareceu para fazer os exames complementares, que era necessário para que se pudesse ter mais provas. Ela também não foi depor. A mãe dela relatou, então, que ela não queria prejudicar o companheiro", disse a delegada responsável pelo caso em 2020.

No período, ele chegou a ser encaminhado pela Justiça a participar dos projetos "Ressignificando a violência contra a Mulher" e "Metendo a Colher – um olhar sobre o agressor", realizados na Penitenciária Estadual de Rio Grande (PERG), visando ao tratamento de agressores de violência doméstica dentro da penitenciária.