Vídeo flagra momento em que jovem teria sido cortada no rosto em ônibus

Imagens captadas pelas câmeras de segurança de um ônibus da companhia Expresso Guanabara flagraram o momento em que a suspeita de ter cortado o rosto da estudante de enfermagem Stefani Firmo se debruça sobre a poltrona da jovem e faz um movimento brusco em sua direção. Segundos depois, as câmeras mostram Stefani se levantando e se dirigindo à poltrona onde a amiga, Sara Tavares, constatou o ferimento. A faca usada na ação passa por perícia e a polícia afirma que, caso confirmada a autoria, a mulher deve responder por lesão corporal. A motivação do crime ainda não foi esclarecido.

Uma segunda câmera do ônibus flagrou a cena sob um ângulo diferente, do fundo para a frente. Nas duas imagens, apesar da baixa qualidade, fica evidente que a suspeita, sentada na fileira de poltronas entre as de Stefani e Sara, se ergue e faz um movimento brusco na direção da jovem, sentando-se em seguida.

Foi logo após essa ação que a estudante acordou, sentindo uma pancada forte no rosto. A princípio, ela até pensou que algo pesado, como uma bagagem, havia caído sobre ela. Mas, quando colocou a mão no rosto e olhou para as roupas que vestia, brancas, notou estar suja de sangue.

"A gravação comprova que não houve qualquer discussão entre eu e ela. Ela simplesmente se levantou e utilizou a faca que carregava para me cortar enquanto eu dormia", escreveu a estudante em uma postagem no Instagram.

"O ataque foi gratuito, brutal e cruel. Ainda estou muito assustada com tudo e tentando absorver o que ocorreu. Agora estamos aguardando o encerramento das investigações para que a justiça seja feita e essa criminosa seja punida".

Desconforto e intuição em viagem

Stefani e Sara, em entrevista ao UOL, chegaram a dizer que estranharam a atitude da mulher, que parecia não se incomodar com a descoberta do ferimento. "Ela não esboçou nenhuma reação", disse Sara.

As duas amigas viajaram juntas do Recife (PE) a Salvador (BA). Ambas, que moram na Bahia, tinham se deslocado para o estado vizinho para realizar prova para obter uma residência em enfermagem na Universidade de Pernambuco.

Elas embarcaram em um ônibus de dois andares da Expresso Guanabara na segunda-feira (29), por volta das 18h15. Apesar de terem comprado poltronas vizinhas, elas se separaram para viajar com mais conforto, já que o ônibus não estava cheio e era possível ocupar as duas poltronas de cada fileira.
Às 4h30, Stefani levantou para pegar um remédio para a garganta com a amiga e voltou para a poltrona. E notou que a mulher sentada atrás dela estava acordada.

"Eu vi quando ela olhou para mim. Estavam todos dormindo, menos ela".



Quando sentou novamente, sentiu alguém mexer em seus cabelos. Nesse momento, ela chegou a pensar que a mulher pudesse querer cortá-los. "Eu tive essa intuição", disse. Ela então deitou com a cabeça na janela e se cobriu com o edredom até o pescoço. Por volta das 5h, acordou com a pressão no rosto.

"Eu sentia que tinha sido ela. Cheguei a falar várias vezes para a Sara que tinha sido ela. Mas a Sara me lembrava que eu não podia ficar acusando sem provas, que podia ser pior. Um dos passageiros que a polícia ouviu contou que, quando o ônibus ficou parado na porta da delegacia para que as testemunhas pudessem depor, ela ficou muito agitada. Se trancou por mais de 20 minutos no banheiro, depois caminhava pelo corredor do ônibus, subia e descia as escadas. Ela ficou muito inquieta. Na delegacia, eu ouvi ela dizer: 'Não tenho nada a ver com o problema dos outros'", relatou Stefani.

Os agentes encontraram com a mulher uma pequena faca de corte. Mas a mulher negou qualquer envolvimento no ocorrido. Porém, por falta de evidências, registraram um TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência) para apurar a lesão corporal praticada contra a jovem e liberaram a suspeita.

Em nota, a Polícia Civil da Bahia informou hoje que os laudos periciais estão sendo aguardados. "Uma faca localizada com a passageira foi encaminhada à perícia, para saber se foi utilizada na ação. Caso seja comprovada a autoria, a mulher poderá ser indiciada por lesão corporal", escreve o órgão.